O que aconteceu aqui
Poveglia foi um povoado próspero no início da Idade Média. Em 1379, durante a guerra de Veneza contra Gênova, os moradores foram levados para a cidade, e a ilha ficou quase vazia. A partir de 1793 funcionou como lazareto, um posto de controle onde pessoas e mercadorias suspeitas de trazer a peste ficavam em quarentena, e continuou como estação de quarentena até o século XIX.
Em 1922, seus prédios viraram um hospital para idosos, que fechou em 1968; desde então a ilha está abandonada. Em 2014, o governo italiano leiloou uma concessão de 99 anos. Uma campanha de cidadãos, a Poveglia per Tutti (“Poveglia para todos”), juntou dinheiro para manter a ilha aberta aos venezianos, e a venda não foi adiante.
As lendas
As lendas dizem que cerca de 160 mil vítimas da peste foram queimadas e enterradas em Poveglia e que metade do solo da ilha é cinza humana. Os pescadores evitariam suas margens com medo de pescar ossos nas redes.
A história mais sombria envolve o hospital: um médico teria feito experiências com os pacientes antes de subir no campanário e cair — ou ser empurrado — para a morte, dizendo que os fantasmas o tinham enlouquecido. Quem já entrou escondido na ilha fala de gritos ao entardecer e de um sino que toca numa torre cujo sino foi retirado há muito tempo.
Fato ou lenda?
Poveglia foi mesmo uma estação de quarentena, e é provável que vítimas de epidemias tenham sido enterradas ali. Mas os números famosos — 160 mil mortos, um solo meio feito de cinzas — não aparecem em nenhuma fonte histórica, e o médico louco nunca foi identificado. Os registros descrevem o hospital como um asilo de idosos, não um manicômio. Boa parte da lenda foi construída pela televisão e pela internet.
Como visitar
Poveglia está fechada ao público e não há visitas; desembarcar sem autorização é proibido. Dá para vê-la dos barcos e táxis aquáticos da laguna e do Lido.